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Categoria: Experiências

Ode ao autodidata

Quem nunca gostaria de ter a habilidade de aprender as coisas por vontade própria, sem ter ou depender de instituições, pessoas ou altos investimentos?

O assunto é amplo e dá muito pano pra manga: o que nos faz querer aprender sobre algum assunto ou incorporar alguma habilidade?

De forma crua, o que nos motiva é uma visão idealizada de nós. Vislumbrando a nós mesmos com novas habilidades e conhecimentos podemos enxergar múltiplas possibilidades. Melhorar de vida, ganhar mais dinheiro e termos uma vida mais plena e aproveitada, por exemplo, são as mesmas motivações de quem busca uma formação em um curso superior. Mas não são estas as únicas motivações que existem. Alguém pode escolher cursar Medicina simplesmente por causa do status ou grana que a profissão pode proporcionar. Mas ainda assim, são escolhas conscientes – o indivíduo não consegue optar por aprender algo sem antes ter uma causa que o valha.

Então me arrisco a dizer: o objetivo é a causa principal do autodidatismo. Quando traçamos um objetivo, temos motivos pra isso. E um dos alicerces do objetivo é a curiosidade. Apesar de aparentar ser um motivo simples, a curiosidade é a maior das engrenagens da história humana. É ela que move o indivíduo a buscar sempre mais, a ser sempre mais. Quando a curiosidade possui o sujeito, é fato sem volta: ele quer entender, saber fazer, refletir a respeito, executar, ir ao próximo nível.

Não por acaso, o nome do robô/veículo enviado à Marte para explorar sua superfície é “Curiosity”.

Eu diria mais: a curiosidade e a prática são filhas do objetivo. Não consigo imaginar um objetivo a ser cumprido sem a prática e sem a curiosidade para a reflexão. Com estes pilares, podemos fazer tudo o que quisermos.

Vou dar um exemplo pessoal: já faz bastante tempo que vejo a necessidade de aprender Inglês. Como trabalho com tecnologia e design, este conhecimento será muito proveitoso. Mas este não é o único motivo. Quero dominar o idioma por completo para viajar e me comunicar com pessoas de todo o mundo, conhecer novas culturas e idéias, além de consumir literatura e conhecimento que talvez não estejam disponíveis na língua portuguesa. Basicamente, por curiosidade em várias áreas.

E então, decidi estudar o idioma de forma autodidata. A minha noção de Inglês é intermediária, pois sempre fui um grande curioso no por causa de meus jogos de videogame que eram 100% em inglês, programas de computador, etc., além do que aprendi na marra durante meu ensino médio. Considero minha leitura no idioma bem avançada, mas sei que peco bastante na pronúncia e principalmente em ouvir pessoas conversando em inglês.

A melhor maneira de aprender inglês na marra.

Mas me cansei da minha condição de analfabeto no Inglês e resolvi mudar o jogo: vou aprender por conta este fucking but amazing idiom. Eu decidi que custe o que custar, não irei morrer algum dia sem ter aprendido a falar, ouvir e escrever fluentemente.

Eu não tenho dificuldade para aprender com professores ou cursos, mas normalmente me sinto mais à vontade quando aprendo por conta própria pois faço meu horário e tenho minhas próprias regras quando quero aprender algo. Quando tive aulas presenciais com professores, geralmente eu também estudava em casa para reforçar ou descobrir coisas além do que havia sido dito em sala de aula.

Enfim, agora que decidi o que aprender, como irei fazê-lo? No meu caso, segue abaixo uma lista de afazeres que tracei para chegar ao meu objetivo:

  • – Estudar inglês (escrita, pronúncia e audição) por 3 anos para domínio considerável do idioma;
  • – Separei 1h do dia para realizar estes estudos e experimentações;
  • – Encontrar artigos e textos sobre como melhorar meu rendimento no idioma;
  • – Baixei um aplicativo excelente chamado Duolingo em meu smartphone para praticar pelo menos meia hora por dia (fora a hora que separei para estudar);
  • – Comprei um dicionário inglês / português;
  • – Ouvir minhas músicas favoritas em inglês e analisa-las;
  • – Comprei um livro com as regras ortográficas do idioma para saber realmente como utilizar as palavras;
  • – Comprei alguns livros em inglês de assuntos de meu interesse para me familiarizar com o idioma;
  • – Mudei o idioma de todos os programas e menus do que utilizo para o inglês, para me forçar a aprender;
  • – Devo escrever pelo menos 5 textos em inglês por semana sobre algum assunto em específico para me familiarizar com as palavras e a maneira correta de escrevê-las;
  • – Preciso assistir pelo menos 1 filme por semana em inglês com idioma em português e depois o mesmo filme sem legenda, prestando atenção nas formas de pronúncia e suas variações.
  • – Planos de passar pelo menos 1 mês nos Estados Unidos com 1 ano e meio de estudo e depois mais 1 mês quando tiver 3 anos de estudo para praticar o que aprendi.

Inicialmente, são esses os meus planos. São uma verdadeira imersão ao assunto e, pra mim isso é o que mais funciona. É diferente de um curso onde eu iria 2x por semana e faria as tarefas propostas meia hora antes de ir para a aula. Não que os cursos de inglês ou professores sejam ruins (e até seria interessante pro meu propósito fazer um curso ou aula com um professor particular e combinar com minha lista) mas acredito que eu possa ter um resultado bem interessante se levar à risca tudo o que listei.

Pra mim, esta metodologia de imersão vale pra todos os assuntos que você queira aprender, inclusive aqueles que EXIGEM um curso superior para serem ensinados. Porque além do curso superior em si, você sempre pode buscar mais informações e praticar na internet, em livros, etc. Sair da sua caixa invisível.

Espero que esta minha introdução ao assunto do autodidatismo seja interessante para vocês e que inspire as pessoas a começarem a aprender por conta algo que sempre tiveram vontade de saber/fazer.

Só se vive uma vez!

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